Entenda como agia ginecologista suspeito de crimes sexuais contra mais de 20 pacientes em Goiás
27/04/2026
(Foto: Reprodução) Entenda como agia ginecologista suspeito de crimes sexuais contra mais de 20 pacientes em
Preso suspeito de estuprar pacientes durante consultas e exames, o ginecologista Marcelo Arantes e Silva, de 50 anos, agia inicialmente de forma a conquistar a confiança das pacientes e, depois, passava para perguntas e toques inadequados. A delegada responsável pela investigação, Amanda Menuci, contou que mais de 20 vítimas denunciaram o médico em Goiânia e em Senador Canedo.
O ginecologista foi preso na quinta-feira (23) e passou por audiência de custódia, na sexta-feira (24), quando teve a prisão mantida pela Justiça. Ao g1, a defesa afirmou por meio de nota que entende como desnecessário o pedido de prisão do profissional, visto que ele tem “contribuído integralmente com a Justiça em todo o curso da investigação”. A defesa afirma a inocência do médico em relação às acusações.
“Ele é um médico bem conceituado em sua área de atuação, probo e ético. Prevalece a convicção de que ele será mais uma vez absolvido, como já ocorreu em um dos processos”, declarou a defesa (veja a nota completa ao final do texto). O Conselho Regional de Medicina (Cremego) informou que o registro do médico foi suspenso e as denúncias são apuradas em total sigilo.
Médico Marcelo Arantes é suspeito de estuprar pacientes em Goiás
Divulgação/Polícia Civil
Segundo a investigação da Polícia Civil, há relatos de crimes ocorridos desde 2017. A delegada Menuci contou, em entrevista coletiva, que o médico fazia do ambiente clínico um lugar de vulnerabilização das mulheres.
“As primeiras consultas normalmente eram marcadas por toques físicos indesejados, perguntas inapropriadas, questões sexuais sobre parceiros e sobre vida íntima. Após, iniciavam-se os atos libidinosos propriamente ditos: exames realizados sem luvas, exames realizados desnecessariamente quando não havia indicação médica para aquele ato, perguntas durante os atos que demonstravam claramente a finalidade libidinosa”, relatou a delegada.
A investigação aponta que, enquanto o médico praticava os atos libidinosos, ele fazia perguntas de teor sexual, tais como se ela estava gostando, se estava confortável ou se sentia prazer com o ato. “Então, ele ia tendo essa escalada criminosa até chegarmos no caso de uma das vítimas que nos relatou um ato final de sexo oral”, ressaltou a delegada.
Mais de 20 vítimas denunciaram o ginecologista
O ginecologista foi denunciado por 23 pacientes, sendo 10 na capital e 13 em Senador Canedo. De acordo com a investigação policial, as vítimas têm entre 18 e 45 anos. A delegada relatou que, entre as vítimas, estão uma mulher grávida e jovens em primeira consulta.
Quanto ao tempo entre o crime e a denúncia, a delegada explicou que crimes sexuais demoram para que a vítima entenda o que aconteceu de fato e, depois, demoram para ter coragem para fazer a denúncia. “Eram vítimas que estavam extremamente abaladas, com medo. Algumas delas iam relatando fatos novos no decorrer da declaração que não tinham trazido ainda à tona”, contou a delegada.
Nota da defesa
"A defesa do Dr. Marcelo Arantes Silva entende como desnecessário o deferimento do pedido de prisão. Primeiramente, porque tem plena confiança em sua inocência. Em segundo lugar, porque ele já se afastou do exercício da profissão e tem contribuído integralmente com a Justiça em todo o curso da investigação.
Ele é um médico bem conceituado em sua área de atuação, probo e ético. Prevalece a convicção de que ele será mais uma vez absolvido, como já ocorreu em um dos processos"
Rodrigo Lustosa, Nara Fernandes e Frederico Machado
Advogados de defesa
Nota do Cremego
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informa que o registro do médico foi suspenso por ordem judicial. A informação consta no site do Cremego.
Sobre as acusações contra o profissional, o Cremego ressalta que todas as denúncias relacionadas à conduta ética de médicos, recebidas ou das quais toma conhecimento, são apuradas e tramitam em total sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico. O Cremego também solicita esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição citada nas denúncias.
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